transfigura-se em arte e memória;
na taça, repousa o destino,
um eco antigo da própria história.
O sumo, antes doce e inocente,
vira o riso dos deuses, a fala dos loucos,
a confissão do homem que mente
e, ao beber, se encontra aos poucos.
Em cada gota há terra e suor,
há o sol que queimou a pele do lavrador.
Há o tempo, paciente escultor,
que transforma o fruto em sabor e ardor.
Eis o milagre, simples, divino
a uva, em dor, se faz caminho.
E o vinho, ao cair no cristal fino,
chora rubro o sangue do destino.